Morte de jornalista durante troca de tiros vai reacender debate sobre segurança de profissionais

Cinegrafista Gelson Domingos (de azul, atrás dos policiais), de plantão na manhã deste domingo, estava seguindo PM quando foi baleado (Foto: Fernando Quevedo / Agência O Globo)

O último “take” do cinegrafista Gelson Domingos, 46 anos, foi fazer com que seu espectador tenha a exata noção de como você vê o mundo logo depois de ser baleado no peito. Foi o que aconteceu com ele no início da manhã deste domingo, enquanto trabalhava na Favela dos Antares, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.

Ele fazia a cobertura jornalística da operação que os batalhões de Choque e de Operações Policiais Especiais (Bope) realizaram na comunidade, quando foi atingido por um tiro no peito.

A morte de mais um jornalista durante o trabalho de cobertura das ações policiais no Rio de Janeiro mostra um pouco do risco que é a profissão e, pode apostar, reacende o debate sobre a segurança deste tipo de pauta.

O sindicato da categoria afirmou que o colete é uma maquiagem. “Os coletes não oferecem segurança para o profissional porque não protegem contra os tiros de fuzil, a arma mais usada pelos bandidos e também pela polícia no Rio. E as emissoras só dão o colete porque a convenção coletiva de trabalho estabeleceu que o equipamento é obrigatório em coberturas de risco”, diz a presidente Suzana Blass.

As últimas imagens feitas pelo profissional podem ajudar a identificar o(s) atirador(es). A Polícia Civil quer analisar as filmagens de Gelson para ver se o grupo de quatro pessoas que ele filmara e que posteriormente fez os disparos é o mesmo que foi morto em seguida.

Confira a reportagem da Band com as últimas cenas gravadas por Gelson Domingos

Como tudo aconteceu

O repórter Ernani Alves, da TV Bandeirantes, acompanhava Domingos no trabalho. Segundo ele, a equipe soube da grande operação da Polícia Militar por volta de 5h. “Conseguimos encontrar o comboio na entrada para a zona oeste. Fomos a primeira equipe a entrar na Favela de Antares com os batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope) e de Choque”.

Alves afirmou que ele e Gelson avistaram um valão e, do outro lado, bandidos fortemente armados que começaram a exibir os armamentos para a equipe e para os PMs. O cinegrafista fez imagens desse grupo. Minutos depois, eles começaram a atirar contra a equipe e os policiais.

“Foi muito rápido. Ele foi atingido pelos disparos e caiu imediatamente. Não deu nem para tirá-lo da viela. Homens do Bope começaram a atirar contra o grupo. Fiquei no meio do fogo cruzado e deitei no chão. Gelson em nenhum momento parou de filmar. Ele filmou quem o matou”, relata o repórter. “Hoje é o dia mais triste da minha vida porque saí com um amigo para trabalhar e não retorno para a emissora com ele”.

Fonte: Último Segundo / IG

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3 comentários em “Morte de jornalista durante troca de tiros vai reacender debate sobre segurança de profissionais

  1. Tá na hora de pensar na necessidade de se colocar jornalistas na linha de frente de ações policiais de alto risco em busca de furos, exclsuivas e audiência. Agora vão colocar a culpa na polícia pelo tiroteio e morte do profissional? Vão exigir a prisão dos bandidos como demostração de justiça? Ele estaria vivo se não estivesse no lugar errado para um jornalista, ou não?

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  2. Se há a necessidade em a emissora mostrar o tiroteio, que ao menos dê condições realmente seguras a seus profissionais, zelando por suas vidas! Ridículo saber que o façam como parte de uma obrigação! Inacreditável como um furo é mais valorizada que a vida de uma pessoa…

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  3. É muito triste saber que saimos para uma pauta como estas e não temos segurança nenhuma,principalmente aqui na região da grande Florianópolis,que não se ganha nem o colete a prova de balas,temos que voltar com a melhor imagem porém não temos a valorização do trabalho,sinto pelo colega de trabalho,isto tem se tornado uma rotina no nosso trabalho,e o piór é que não se sabe de quem devemos nos defender…
    É triste…e lamentavel

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